quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Poesia

Ai deixa, deixa lá que a Poesia
no perfume das flores, no quebrar
das ondas pela praia,
na alegria
das crianças que riem sem porquê
— deixa-a lá que se exprima, a Poesia.

Fica sentado aí onde estás, Poeta,
e não mexas os lábios nem os braços:
deixa-a viver em si;
não tentes segurá-la nos teus braços,
não pretendas vesti-la com palavras...

Se a queres ter,
se a queres sempre ver pairando à flor das coisas, fica aí
no teu cantinho, e nem respires, Poeta, e não te bulas,
p'ra que ela não dê por ti.

Não a faças fugir, toda assustada
com a tua presença...
Deixa-a, nua, pairando à flor das coisas,
que ela não sabe que a viste,
nem sabe que está nua,
nem sequer sabe que existe...

Sebastião da Gama - Serra-mãe

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Banrez(es)


Uma aldeia, segundo as pesquisas, foi constituída em 1320 por uma comunidade cristã e que mais tarde foi vítima de uma epidemia que provocou o êxodo total da comunidade, que se deslocou para as aldeias mais próximas, tendo o último habitante abandonado a aldeia acerca de 35 anos, hoje, observa-se no local, um vale e um conjunto de ruínas à vista... mas ainda assim, paisagem deslumbrante de se ver. 

Para se chegar a este lugar encantado por lendas e memórias que dariam certamente para escrever uma série de aventuras, segue-se pelo caminho em terra batida, junto ao Santuário de Santo Ambrósio. Conforme se avança no caminho, surge à vista um vale, circundado por montes e algumas ruínas, todos estes elementos se abraçam em perfeita harmonia na paisagem. 

Entre as ruínas encontramos a igreja, à volta da qual foi criada uma lenda que contava que “haveria uma cobra que deixava a pele na igreja e ia beber ao rio”. Ora imaginado à letra a cobra deveria ter pelo menos uns 300 ou 400 metros. Mas não era bem este o significado – era mesmo só para assustar miúdos curiosos. 
Junto ao Rio Azibo encontramos as ruinas dos velhos moinhos e das casas dos moleiros. O moleiro que morava junto à ponte era então o bisavô João José Cavalaria, ali criou os seus 7 filhos(6 Filhas e 1 filho – Olímpia(minha avó), Herculano, Aurora, Maria de Lurdes, Carmen, Deldina , Céu e Herculano) que segundo, se conta, seriam dos últimos a sair deste lugar. 

Mas haverá lendas para todos os gostos, perspetivas e à moda de cada contador … esta será a minha perspetiva, recontada pelas histórias que ouvia contar quando era miúda.