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domingo, 6 de abril de 2025

Navegar

 Navegar


A rota fácil nunca serve,

Que por breve ou doce não te iluda.

De muitas pequenas pedras se faz a longa estrada

E de muito remar o mar distante.

 

Aonde corres sem saber? Porque navegas sem leme?

O amanhecer que te ilumina nunca esquece,

E não há mais caminho além de amar o mar,

Não há mais magia ou novo encanto.

 

Não existe porto ou tempo certo,

Há apenas o vento e as velas que te empurram

E a paciência, a alma aberta de quem espera a hora incerta.

E há o fim de tudo, às vezes longe, o farol da tua fé.

 

Há o teu medo, o teu pecado, como vagas que te agitam,

Há essas forças que gritam e que te fazem remar

Para o norte, contra a sorte, contra a morte,

Com ânsia de não ficares, com sede de te encontrares.       


Poema do livro: A pedra e a Flor 

do colega e amigo Jorge Silva



domingo, 27 de dezembro de 2015

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso,
só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.


Pablo Neruda


foto @ferlede 2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Não me Importo com as Rimas



Não me Importo com as Rimas

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural corno o levantar-se vento... 

Alberto Caeiro


domingo, 29 de junho de 2014

Muitas coisas cabem no silêncio

Muitas coisas cabem no silêncio
(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
Cecília Meireles

Fotografia by Ferlede@ junho 2014

domingo, 4 de maio de 2014

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela
só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas
que passam por suas vidas.



domingo, 27 de abril de 2014

Livro: Portas & Palavras

Esta semana recebi uma pérola, em forma de livro que se chama Portas & Palavras produzida pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, do qual retirei um dos poemas.


O Poema que é escolho é "o tempo", pois ando sempre contra o tempo, por isso tenho uma contas a acertar com ele. Ultimamente o tempo é sempre pouco para tantas coisas que gostava de fazer e tantas ideias. Sinceramente acho que o tempo minguou.

O tempo

É andar depressa e devagar
É o que nos faz viver
É futuro
É passado
É relógio que não pára
É relógio sem horas
É livro de páginas por escrever
É uma flor sem pétalas
É mar sem água
É rosa sem perfume
É uma roda que nunca tem fim
É Verão na praia
É Outono caindo folhas
É inverno com bonecas de neve
É Primavera com perfume de flores
É o mundo que não pára de andar
É ar livre
É roda que roda e gira sem parar-
É o tempo do tempo
São as borboletas que voam para longe


In Portas e Palavras, Produção do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, 2007

sábado, 26 de abril de 2014

Livro: Poemas de vida, amor e saudade

Mais uma pérola em forma de livro, que entrou na minha vida, com direito a dedicatória e autografo, - "Poemas de vida, amor e saudade" de  Adelaide Garcia, Macedo de Cavaleiros, 2013.

Deixo por aqui, um dos poemas que nele podemos encontrar.

Versos eu escrevo

Versos, eu escrevo
Como quem canta uma canção,
Escrevo tudo
Com palavras que saem do coração.

Versos, eu escrevo
Estou sempre a escrever,
Escrevo aqui
Tudo o que me dá prazer.

Versos, eu escrevo
Sem que ninguém me peça,
Escrevo assim
Tudo o que me vem à cabeça.

Versos, eu escrevo
a toda hora, a todo momento,
Escrevo sempre
Com paixão e com sentimento.

Adelaide Garcia, in Poemas de vida, amor e saudade


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Simplicidade

Simplicidade
Queria, queria 
Ter a singeleza 
Das vidas sem alma 
E a lúcida calma 
Da matéria presa. 

Queria, queria
Ser igual ao peixe
Que livre nas águas
Se mexe;

Ser igual em som,
Ser igual em graça
Ao pássaro leve,
Que esvoaça...

Tudo isso eu queria!
(Ser fraco é ser forte).
Queria viver
E depois morrer
Sem nunca aprender
A gostar da morte.

Pedro Homem de Mello, in "Estrela Morta"

Fonte do poema aqui!

Fotografia tirada em Penafiel 20014-04-23