domingo, 27 de julho de 2025

#3 Era preciso contar à família

 Ainda mal conseguia verbalizar a palavra, quanto mais explicar tudo o que ela trazia consigo.

Mas já não podia adiar. Chegara o momento de contar à família, ao meu filho, depois aos meus irmãos.
Sabia que cada palavra ia cair com o peso do medo e da incerteza.
Sabia que iam sofrer — e que ver essa dor, estampada nos olhos e na voz de quem amo, me doía ainda mais.

Há coisas que não se conseguem preparar. A notícia sai aos pedaços, entre silêncios e lágrimas contidas, e o que mais custa não é o que se diz — é o que se sente no ar, naquela mistura de choque, ternura e vontade de proteger uns aos outros.

Naquele instante, percebi que a força não estava em esconder o medo, mas em deixá-lo ser partilhado. E que o amor, mesmo ferido pela dor, continua a ser o lugar mais seguro do mundo.

 



quarta-feira, 23 de julho de 2025

#2 Exames, mais exames após a notícia

 

Depois da notícia, vieram dias em que o tempo parecia andar devagar.

Seguiram-se exames, análises, esperas silenciosas. Cada resultado era aguardado com o coração apertado — entre o receio e a esperança.
A ressonância magnética, naquele túnel estreito e frio, tornou-se um símbolo de tudo o que ainda estava por descobrir. Era preciso apurar o diagnóstico, compreender o que o corpo estava a tentar dizer.

O caminho que se abriu à frente não era uma linha contínua. Era um caminho cheio de incertezas e tropeços, onde cada passo exigia força e confiança. Mas, ao mesmo tempo, foi nesse percurso que se revelaram gestos simples e preciosos: o apoio de quem está perto, a palavra certa no momento certo, a importância de parar e respirar.

Entre exames e análises, descobri que viver um dia de cada vez é mais do que uma frase feita — nesta fase é a única forma. E que mesmo nos caminhos mais difíceis, há sempre um fio de luz a guiar-nos para diante.




domingo, 20 de julho de 2025

 "A luz dourada do entardecer pinta a serra da Arrábida de magia." 


eu a snowe gostamos muito deste spot em casa