Depois da notícia, vieram dias em que o tempo parecia andar
devagar.
Seguiram-se exames, análises, esperas silenciosas. Cada resultado era aguardado
com o coração apertado — entre o receio e a esperança.
A ressonância magnética, naquele túnel estreito e frio, tornou-se um símbolo de
tudo o que ainda estava por descobrir. Era preciso apurar o diagnóstico,
compreender o que o corpo estava a tentar dizer.
O caminho que se abriu à frente não era uma linha contínua. Era um caminho cheio de incertezas e tropeços, onde cada passo exigia força e confiança. Mas, ao mesmo tempo, foi nesse percurso que se revelaram gestos simples e preciosos: o apoio de quem está perto, a palavra certa no momento certo, a importância de parar e respirar.
Entre exames e análises, descobri que viver um dia de cada vez é mais do que uma frase feita — nesta fase é a única forma. E que mesmo nos caminhos mais difíceis, há sempre um fio de luz a guiar-nos para diante.

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