Ainda mal conseguia verbalizar a palavra, quanto mais explicar tudo o que ela trazia consigo.
Mas já não podia adiar. Chegara o momento de contar à família, ao meu filho,
depois aos meus irmãos.
Sabia que cada palavra ia cair com o peso do medo e da incerteza.
Sabia que iam sofrer — e que ver essa dor, estampada nos olhos e na voz de quem
amo, me doía ainda mais.
Há coisas que não se conseguem preparar. A notícia sai aos
pedaços, entre silêncios e lágrimas contidas, e o que mais custa não é o que se
diz — é o que se sente no ar, naquela mistura de choque, ternura e vontade de
proteger uns aos outros.
Naquele instante, percebi que a força não estava em esconder
o medo, mas em deixá-lo ser partilhado. E que o amor, mesmo ferido pela dor,
continua a ser o lugar mais seguro do mundo.

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