Chorei. Não gritei. Acho que nem respirei direito. Só fiquei parada. A tentar
perceber se era comigo.
Mas era. É.
A médica falou sobre — exames, tratamentos, planos — mas
confesso que não retive muito.
Chorei. Não gritei. Acho que nem respirei direito. Só fiquei parada. A tentar
perceber se era comigo.
Mas era. É.
A médica falou sobre — exames, tratamentos, planos — mas
confesso que não retive muito.
A rota fácil nunca serve,
Que por breve ou doce não te iluda.
De muitas pequenas pedras se faz a longa estrada
E de muito remar o mar distante.
Aonde corres sem saber? Porque navegas sem leme?
O amanhecer que te ilumina nunca esquece,
E não há mais caminho além de amar o mar,
Não há mais magia ou novo encanto.
Não existe porto ou tempo certo,
Há apenas o vento e as velas que te empurram
E a paciência, a alma aberta de quem espera a hora incerta.
E há o fim de tudo, às vezes longe, o farol da tua fé.
Há o teu medo, o teu pecado, como vagas que te agitam,
Há essas forças que gritam e que te fazem remar
Para o norte, contra a sorte, contra a morte,
Com ânsia de não ficares, com sede de te encontrares.
Poema do livro: A pedra e a Flor
do colega e amigo Jorge Silva
O frio do inverno parece já não ser tão intenso, mas a natureza anda zangada connosco e nunca e sabe. Mas já começam a florescer as campainhas que preenchem os campos de amarelo.
Fizeram-me relembrar os tempos de pequenita, na aldeia, quando os campos começavam a ficar cobertos de flores.
"Deixe ir as pessoas que não estão preparadas para te amar. Essa é a coisa mais difícil que você terá que fazer na sua vida e também será a coisa mais importante. Pare de ter conversas difíceis com pessoas que não querem mudar.
Chove. Há Silêncio
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"